Se o teu filho te tira do sério, isso pode ser sério!

Mãe a gritar

Na verdade crianças não “tiram os adultos do sério”.
Adultos já estão “fora do sério”.
Adultos vivem “fora do sério” por questões pessoais!
Por suas próprias frustrações, preocupações, medos, mágoas, receios, pressa, pressões externas e internas.

Este é um artigo escrito pela Psicanalista Luzinete R. C. Carvalho.

Os adultos estão constantemente fora de si, desarmonizados, encolerizados, contidos, como bombas prestes a explodir.
O que acontece é que mais facilmente se deixam explodir quando precisam lidar com quem é menor, mais frágil, indefeso, quando lidam com quem não precisam temer uma retaliação…
Por isso, antes de se permitir “sair do sério” com uma criança, reflita se você já não está “fora do sério” por outras razões em sua vida, razões que só você pode (e deve) tentar mudar!
Talvez seja a vida apressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa andar mais devagar para olhar pedrinhas na calçada.
Talvez sejam as contas para pagar e os prazos para cumprir, que consomem, além de energia física, uma preciosa tranquilidade mental, tão necessária para desfrutar da companhia dos filhos.
Talvez sejam as expectativas pessoais, que visam sempre um futuro melhor, mas fazem esvair por entre os dedos qualquer possibilidade de viver o agora, e tal impossibilidade grita através do choro dos filhos, que imploram neste momento a atenção de hoje.
Adultos estão constantemente “fora do sério” por causa das mágoas do passado, da pressa no presente e das angústias do futuro!
E as crianças, na verdade, precisam de muito pouco.

Porém, o pouco que elas precisam é algo que se tornou muito difícil para nós, adultos!

Elas precisam de tempo de qualidade, de olhar demorado, de presença verdadeira, sem TV ligada, sem atender o celular no meio da brincadeira, precisam de uma volta na pracinha sem um “anda logo”.
As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrirmos que somos, ou estamos, incapazes de realizar mesmo as coisas mais simples.
São as coisas simples que carregam em si as maiores alegrias.

Nossas escolhas, conscientes ou não, determinam muitas coisas em nossas vidas, e as crianças chegam depois que muitas dessas escolhas já estão solidificadas; e chegam em meio a um turbilhão de preocupações, prazos, horários, dívidas e metas, chegam silenciosas em meio a mil vozes que nos dizem que são elas, as crianças, que precisam se adaptar e se encaixar.

As crianças chegam nos pedindo um pouco mais de tempo, passos mais lentos, olhares mais atentos, abraços sem pressa, sorrisos sem limites…
Chegam nos mostrando que nem nós deveríamos aceitar nos encaixar na vida atribulada e vazia, que nos consome na mesma medida que consumimos cada dia sem sentir, sem perceber.
As crianças não nos cobram, elas nos mostram que estamos incapazes de desacelerar, de sorrir, de contemplar, de cantar ou dançar, de respirar e suspirar, de sentir alívio ou paz.

E em vez de refletirmos sobre nossas escolhas, que podem não ter sido as melhores até então, mas que podem melhorar, ou até mesmo serem diferentes a partir de agora, a gente “prefere” brigar com as crianças, bater nas crianças, sair do sério com as crianças!
Os filhos nos lembram constantemente sobre o que realmente importa, especialmente quando nem queremos que nos lembrem dessas coisas.

Os filhos querem apenas um pouco mais da gente mesmo! Mas isso se tornou quase impossível, pois perdidos entre as experiências do passado, a pressa no presente e o medo do que virá amanhã, nem conseguimos nos lembrar quem somos, ou quem queríamos ser…
Não lembramos mais quem somos em meio a tantas preocupações e angústias!
Precisamos refletir não sobre os adultos que nos tornamos, mas sobre as crianças que nós mesmos um dia fomos!
Tentar lembrar o que sentíamos, o que desejávamos, o que era importante para nós quando éramos pequenos!

Não existe criança que precisa apanhar para aprender, o que existe, infelizmente, é adulto que precisa bater, e que batendo, acredita que está ensinando algo bom.

Bater, agredir, gritar, deixar chorar, apressar, negar, brigar, culpar, ignorar…
E isso tudo por causa de suas próprias questões pessoais.
É difícil e trabalhoso enxergar que o problema no comportamento da criança pode ser a escola que ela é obrigada a frequentar, é muito difícil e trabalhoso enxergar que o problema pode ser o ritmo acelerado da vida que nós escolhemos.
Pode ser trabalhoso perceber que o problema pode ser as pessoas que rodeiam as crianças.
Pode ser difícil e doloroso enxergar que o problema pode ser a gente mesmo.
Por isso, e por muitas outras coisas, decidimos que o problema é a criança, e por não conseguirmos mudar o contexto que nós vivemos, tentamos mudar a criança.
Romper com o passado, mudar o presente e temer menos o futuro, pode dar muito trabalho!
Então, decretamos que são as crianças que nos tiram do sério.
Quando cuidar e educar se limita a fazer dos filhos aquilo que a gente quer, quando se limita a enquadrá-los à força dentro de uma rotina alucinada, perdemos toda a leveza, a liberdade e a alegria.
Tudo se torna extenuante, e até o que é natural é percebido como se fosse um problema.
Existem métodos, dicas de disciplina positiva que podem indicar o caminho, mas não há soluções prontas, especialmente se o que os pais procuram é um método milagroso que elimine todo e qualquer conflito.
As situações tensas, os embates, as crises, sempre vão existir, e são parecidas em todas as famílias, o que difere é a capacidade que algumas pessoas tem de lidar com elas de uma forma mais leve e produtiva.
Não adianta querer ser imediatista. E atualmente todos sofremos deste mal, queremos ser atendidos imediatamente, queremos que as encomendas cheguem o quanto antes, queremos que a fila ande o mais rápido possível, nós, os adultos, queremos que o link abra em um segundo, queremos o resultado já, agora, neste instante.

E no que diz respeito a relações humanas, o tempo de resposta não está na velocidade de um clique, a resposta está na confiança que se planta a cada dia, mas se colhe num tempo que não podemos controlar.

Criar e educar é uma construção diária, lenta, trabalhosa, que se prolonga por todo o tempo que durar a relação, ou seja: provavelmente a vida inteira.
O diálogo, a confiança e o respeito se constroem dia a dia, nas coisas simples, através dos detalhes.
Algo que aparentemente não deu certo em uma determinada situação pode ter sido uma semente a germinar e gerar frutos benéficos em um futuro próximo ou distante.
Nada se perde no que diz respeito aos cuidados com os filhos!
A maioria das situações de conflito que surgem, especialmente as rotineiras, as que se repetem, podem ser evitadas e contornadas.
Os momentos de crise, de embate entre pais e filhos, podem ser superados de forma harmônica e construtiva, isso se houver um pouco mais de paciência, boa vontade, autoconhecimento e tempo, coisas que dependem dos adultos e não das crianças.
Carl Gustav Jung já dizia que se você encontrar algo que gostaria de mudar em uma criança, deveria antes se perguntar se não há algo que você deveria mudar em você mesmo.

Antes de erguer a voz para uma criança, reflita sobre o quanto está ouvindo a sua própria voz interior, e se está sendo capaz de compreender o que esta voz lhe diz.

Antes de erguer a mão para uma criança, reflita sobre o quanto está erguendo a mão para mudar o que não está bom, dentro e fora de você…

Que nos sirva apenas de alerta, ou como um convite para refletirmos, que sempre há muito a ser mudado em nós mesmos, quando temos o ímpeto de mudar algo em uma criança!

11 coisas para dizer em vez de “Pára de Chorar”

Artigo de Renee Jain, publicado em psychcentral.com e aqui traduzido para português por Parentalidade Digital.

11 coisas para dizer quando as crianças choram

Não é segredo que ouvir os nossos filhos a chorar nos deixa desconfortáveis. Basta pensar em como se sente ansioso quando o seu filho pequeno desata a chorar sem uma razão óbvia. Sabemos que a principal forma de comunicação do recém-nascido é chorar, mas ainda o vemos como algo a ser “consertado”. Quando o bebé se torna numa criança, que anda e fala, esperamos, que ele processe a emoção da maneira como fazemos, em vez da maneira que sempre fizeram: através do choro.

De facto, estudos descobriram que os nossos cérebros são programados para ter uma reacção instantânea a uma criança que chora, tornando-nos mais atentos e prontos para ajudar – e com rapidez! Um bebé a chorar desencadeia o nosso instinto de combate, aumentando a nossa frequência cardíaca e empurrando-nos para a acção … mesmo que essa criança não seja nossa.

Parece que temos que reagir a uma criança a chorar, mas como?

O seu bebé a chorar não é necessariamente de tristeza

Para muitas crianças, chorar não é um reflexo da tristeza – é uma maneira de processar uma qualquer emoção. Eles podem chorar de raiva, frustração, medo, excitação, confusão, ansiedade ou até mesmo de felicidade. O problema é que eles também podem não ter a habilidade verbal e a autoconsciência para explicar como se estão a sentir. Isso significa que perguntar-lhes: “O que se passa?” raramente produzirá uma resposta produtiva.

Dizer “não chores!” Torna a vida mais difícil para si

Pode pensar que se o choro parar também vai impedir seu filho (e o seu coração!) de sofrer, mas quando diz ao seu filho, “Pára de chorar!” ou “Não chores!”, eles imediatamente pensam que não entende como se estão a sentir. O seu choro provavelmente se tornará mais alto e mais persistente.

Ao perguntar ou dizer-lhes para “parar”, também está a dizer ao seu filho que as suas emoções são inválidas e sem importância. Independentemente de quão trivial a razão possa parecer para si, a sua incapacidade de reconhecer como eles se estão a sentir naquele momento priva a ambos a oportunidade de aprender a processar essa emoção de uma maneira mais positiva.

O nosso objetivo como pais, por mais complicado que pareça, é apoiar o desenvolvimento da autorregulação emocional do nosso pequeno – algo que só podemos fazer quando os tratamos com empatia e compreensão.

Por mais tentador que seja, não o distraia

Muitos de nós vemos a distração como a ferramenta definitiva no nosso arsenal emocional. Imaginando que, se conseguirmos distrair a nossa criança, que está a chorar, da razão que a está a fazer chorar, nós conseguimos fazer parar o choro completamente. Todos nós balançamos o brinquedo favorito à frente dos rostos lavados em lágrimas ou cantamos uma música com os dentes cerrados num desespero agudo! Infelizmente, com a distração perde a oportunidade de se conectar com o seu filho e ensiná-lo a lidar com as suas emoções.

Sim, se ele está a lutar por um brinquedo com outra criança, distrair o seu filho com um segundo brinquedo é completamente apropriado. Mas se o seu filho está a chorar porque o ajudou a colocar os sapatos em vez de deixá-lo fazer isso sozinho, a distração, provavelmente, só fará com que eles respondam mais alto e com mais fervor a fim de serem ouvidos.

É verdade que, às vezes, a distração pode funcionar, mas geralmente é apenas um penso rápido. Não ajuda o seu filho a aprender como lidar no futuro com uma situação ou emoção similar de uma forma mais positiva.

O que dizer

Da próxima vez que se deparar com uma criança a chorar, tente tirar um momento para se certificar de que está calmo. Se está com raiva, stressado ou frustrado, as coisas que que vai dizer apenas adicionam sofrimento à sua criança. Respire uma ou duas vezes, afira como se está a sentir, concentre-se no que está a acontecer dentro do seu corpo (o seu coração pode estar a bater um pouco mais rápido; seu maxilar pode estar cerrado; pode estar tenso) e, quando estiver pronto , use uma voz baixa e tente estas 10 alternativas:

  1. “Estamos na mesma equipa. Eu vou ajudá-lo ”.  Mesmo que o seu filho diga que não quer a sua ajuda, eles querem sentir que os apoiará quando precisarem de si.
  2. “Eu posso ver que isso é difícil para ti.”  Esta frase simples reconhece que os ouve e os vê.
  3. “Eu entendo que estejas triste / desapontado / assustado / ansioso / feliz e isso é normal.”  Reforce a noção de que sentir uma emoção é o que nos torna humanos.
  4. “Isso foi muito triste / frustrante / decepcionante.”  Reconhecer o evento que desencadeou o choro do seu filho ajuda-o também a ver o que desencadeou a sua emoção e descobrir o que fazer a seguir.
  5. “Vamos fazer uma pausa.”  Remover os dois da situação ajuda a criança a entender que às vezes  precisamos de nos afastar para nos recompormos. O seu filho pode estar legitimamente cansado ou com excesso de estímulo e simplesmente precisa ter tempo num lugar calmo e reconfortante antes de voltar à actividade.
  6. “Eu amo-te. Estás seguro.”  Isso convida à conexão com o seu filho, em vez de separação. Eles podem precisar de um abraço, um aconchego ou de segurar a sua mão para sentir que está de facto ali para ajudá-los.
  7. “Gostarias de ajuda / uma pausa / para tentar novamente?”  Muitas vezes quando o seu filho chora de frustração, eles precisam de uma das três coisas: ajuda a executar a tarefa, uma pausa da situação emocional ou tentar fazer a tarefa novamente, possivelmente com ajuda. Perguntando-lhes o que eles gostariam dá poder ao seu filho, ajudando-os a sentirem-se importantes e significativos.
  8. “Eu posso ouvir que estás a chorar, mas eu não sei o que precisas. Podes-me ajudar a entender? ”  Mesmo que o seu filho não possa verbalizar por que está a chorar no começo, isso pode dar-lhe uma hipótese de praticar.
  9. “Eu me lembro-me de quando …” Embora possa parecer uma técnica de distração, ajudá-los a recordar uma época em que se sentiram felizes e em paz ajuda a preparar o seu cérebro para o pensamento racional. Tentar ser razoável com uma criança que está num estado altamente emocional é como negociar com um pequeno ditador. Eles não estão preparados para ouvir a razão quando estão a sentir-se desamparados ou zangados, tristes ou exaustos.
  10. “Vamos criar uma solução juntos.”  Finalmente, queremos ajudar os nossos filhos a desenvolver habilidades de resolução de problemas. Apresentar uma solução que ajude a processar as suas emoções ensina-os a olhar objectivamente para a situação e encontrar possíveis soluções.
  11. Mantenha o silêncio e mantenha um espaço de afeto para o seu filho que está a chorar. Seja um pilar de empatia e força para eles.

Não fale com os seus filhos sobre sexo

Casal de mão dadas

Li este artigo na Parent Co. e, apesar de ser escrito para uma realidade diferente da nossa, tem várias ideias muito interessantes sobre como devemos falar de relacionamentos com os nossos filhos.

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Não fale com os seus filhos sobre sexo

Questiona-se sobre o momento certo para conversar com o seu filho sobre sexo? Pesquisas recentes têm algumas recomendações para si: não o faça. Não fale com o seu filho sobre sexo. Em vez disso, fale sobre os relacionamentos. Fale sobre o romance. Fale sobre o relacionamento saudável, fale sobre o respeito mútuo e, principalmente, fale sobre o consentimento.

Falar sobre sexo? Não parece estar a resultar. Por isso não o faça!

Eu disse: “Ei, o que se está a passar?”

A maioria da educação sexual nas escolas é baseada em contracepção, gravidez e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. O problema é que esses programas não respondem aos tipos de perguntas que as crianças da escola têm sobre o sexo e sobre relacionamentos. Os programas assumem que as meninas são as porteiras do sexo e direcionam as lições para elas. Eles subestimam a capacidade emocional e o interesse dos rapazes e, para dizer a verdade, esses programas simplesmente não estão a resultar.

Nos EUA, 66 por cento dos jovens entre os 12 e os 25 anos afirmam lamentar a sua primeira experiência sexual. No entanto, na Holanda (proprietários orgulhosos de um programa de educação sexual baseado em relacionamento que começa aos quatro anos), a mesma faixa etária relatou primeiras experiências “pretendidas e divertidas”.

Curiosamente, os estados que executam programas de educação sexual baseados na abstinência têm a taxa mais alta de gravidezes adolescentes.

Quando nos concentramos nos factos em torno do sexo, estamos a esquecer da componente dos relacionamentos. Os adolescentes estão confusos sobre relacionamentos e sexo, e eles não estão a encontrar as respostas na sala de aula. É aí que os pais podem intervir, mas não é a ter “a tal conversa”. Devem ter muitas conversas e tenham-nas cedo e muitas vezes.

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Os rapazes só se preocupam com uma coisa

É romance? Ou são mulheres nuas? A pesquisa diz que é: conexão!. Todos estamos conscientes do estereótipo culturalmente aceite do adolescente obcecado pelo sexo: o rapaz que coloca os seus amigos no centro do seu mundo e usa e descarta parceiros sexuais como copos de plástico. Essa noção de masculinidade tóxica presta aos rapazes adolescentes um péssimo serviço. Enquanto que alguns até poderão estar interessados em viver nesse padrão lamentável, a pesquisa sugere que a maioria dos rapazes adolescentes precisam e querem informações sobre relacionamentos, muito mais do que querem dicas sobre como engatar uma rapariga.

Um estudo realizado a 105 rapazes do 10 º ano descobriu que a grande maioria preferia e procurava relacionamentos sérios ao invés de actividade sexual. Estes resultados da pesquisa parecem ser consistentes ao longo da vida, com um estudo abrangente sobre adultos que descobriu que o comportamento sexual mais procurado era o romance e o carinho . Esses comportamentos mais procurados incluíam coisas como beijar, abraçar e dizer coisas carinhosas um ao outro.

A suposição de que os rapazes só se preocupam com o sexo torna invisível, nas discussões, a componente emocional dos relacionamentos. E afinal, esta é a informação que eles realmente querem e definitivamente precisam. O que nos leva a uma questão: onde é que eles estão realmente a ir buscar as suas informações?

Eles descobrirão através dos seus amigos

Os rapazes já sabem tudo sobre sexo, certo? Eles aprendem com os seus amigos (que também sabem tudo, certo?), e através da sociedade em geral, e às vezes até através da pornografia. O problema com as suas fontes actuais de informação é que seus amigos são relativamente ignorante sobre o assunto, a sociedade não possui a profundidade necessária para navegar pelas águas turvas da sexualidade positiva, e a pornografia raramente retrata relacionamentos sexuais saudáveis. Todas essas fontes de informação são inadequadas e podem reforçar os estereótipos negativos em relação aos rapazes adolescentes.

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E sobre,(engolir em seco), pornografia?

A pornografia é uma má professora de relacionamentos. Mesmo que os rapazes usem linguagem sexualizada, isso não significa que eles entendem a sexualidade ou que eles tenham as ferramentas para lidar com isso.

Quando os rapazes não são levados a sério pelos adultos, eles não falam, mesmo que as suas preocupações em relação ao sexo ainda estejam lá. Os adolescentes sabem que não estão a receber a informação que querem; O que eles precisam é  dos pais para preencher esse papel. Os pais precisam de conversar com seus rapazes, e a adolescência é muito distante para que os rapazes aprendam só ai sobre relacionamentos saudáveis ​​e sexualidade. Essa conversa deve começar cedo, com a expectativa de que os meninos sejam capazes de ter uma vida emocionalmente rica e fazer boas escolhas. Isso não significa falar com um filho de quatro anos sobre sexo, mas sim sobre amor e relacionamentos.

“Quando duas pessoas se amam muito …”

Torna-se mais fácil falar sobre sexualidade quando se pensa no amor como base disso. Falar sobre como mostramos uns aos outros amor todos os dias pode ser um excelente iniciador de conversas. Colocar às suas crianças perguntas como: “O que te faz sentir amado?” e “Como tu podes ser um bom amigo?” pode ajudá-los a tomar boas decisões de relacionamento mais tarde na vida.

A resolução de problemas e a capacidade de tomada de decisão são iminentemente transferíveis. Ao aprender essas habilidades no início da vida, as crianças já estão no bom caminho para tomar decisões românticas e sexuais saudáveis. Fale sobre quais os tipos de intimidade que fazem você sentir-se seguro e quais os tipos que não. Fale sobre ter sentimentos e quão fantástico é ser um homem e ser emocional. Fale sobre o que significa consentimento e como eles os podem praticar. Modelo de consentimento com os seus filhos: ao brincar de wrestling ou fazer cócegas, certifique-se de que tem um “Sim” completo do seu filho, e não apenas a falta de um “Não”.

Os pais também podem servir de exemplo nos relacionamentos e servir de exemplo no respeito pelos corpos e emoções das outras pessoas. Ao ganhar uma consciência dos seus próprios limites e dos tipos de amizades que eles valorizam, os rapazes podem usar essas capacidades de tomada de decisão quando começam a entrar no mundo dos relacionamentos românticos.

Os rapazes adolescentes são inerentemente capazes de ter relacionamentos ricos e mutuamente gratificantes. Eles querem saber sobre o amor, eles querem saber como mostrar amor e como ser amado de forma saudável. Quando os rapazes sabem que podem falar sobre os seus sentimentos, eles falam!

Eles também estão conscientes de que suas fontes actuais de informações estão a falhar. É aqui que pais e cuidadores podem avançar. Falar com os rapazes sobre sexo raramente envolve falar com rapazes sobre sexo. Em vez disso, fale com os seus filhos sobre o amor, é isso que eles realmente estão à procura.

Traduzido e adaptado por Parentalidade Digital. Podem encontrar o original aqui:

https://www.mother.ly/parenting/dont-talk-to-your-sons-about-sex-talk-about-this-instead

 

Madassa: o menino que não conseguia ler

O menino que não conseguia ler

Madassa não sabia ler nem escrever.
Madassa tinha a idade que as crianças têm quando sabem ler e escrever.
Mas Madassa não sabia ler nem escrever.

Dentro da cabeça de Madassa não havia lugar para palavras.
Dentro da cabeça de Madassa havia um medo todo negro, com os sons da guerra e dos mortos, muitos mortos.

Na cabeça de Madassa havia uma raiva vermelha cheia de «porquê? porquê?» como garras que espetam.

Dentro da cabeça de Madassa havia uma névoa de tristeza, tão espessa que ele não conseguia lembrar-se da cara do seu irmão ou da sua irmã, que tinham desaparecido e ninguém sabia onde.

Alguns dias, na cabeça de Madassa estava a fome que lhe enchia o ventre.

O negro do medo, as garras da raiva, a névoa da tristeza – e, alguns dias, a fome – ocupavam todo o espaço na cabeça de Madassa.
Não havia espaço para as palavras.

A professora já não sabia o que fazer para ajudar Madassa. Quanto ela tinha tempo, lia-lhe histórias que ele não conseguia ler sozinho.

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A história do Pequeno Polegar, que estava tão assustado na floresta – e o medo do Pequeno Polegar passeava na cabeça de Madassa.
A história do Grand Crieur , que estava sempre zangado – e a raiva do Grand Crieur era igual à raiva na cabeça de Madassa.
A história d’A Pequena Vendedora de Fósforos – e a tristeza da pequena vendedora gritava na cabeça de Madassa.
A professora contava-lhe também a história de Pierrot-la-Lune que queria florescer a terra inteira com as plumas dos pássaros – e as penas dançaram na cabeça de Madassa.

Na cabeça de Madassa, o medo do Pequeno Polegar deixava palavras para dizer medo.
A cólera de Grand Crieur deixava palavras para dizer cólera.
A tristeza de A Pequena Vendedora de Fósforos deixava palavras para exprimir a tristeza.
A dança das palavras de Pierrot-la-Lune deixava palavras que davam vontade de dançar.

Uma manhã, as palavras que se agitavam rapidamente na cabeça de Madassa não quiseram  mais ficar lá.  Madassa pegou um caderno, uma caneta, e um pouco desajeitadamente, como uma criança que aprende a andar, escreveu:

Madassa medo
Madassa cólera
Madassa tristeza
Madassa nas ervas
Madassa ao vento
Madassa na água
Madassa cinzento preto azul
Madassa vermelho amarelo preto
Madassa cinzento amarelo verde
Madassa galo tigre
Madassa sol

─ Um poema! ─ disse a professora. ─ Tu escreveste um poema!
Então foi isso, escrever!
Pegar nas palavras das histórias  para fazer as palavras de Madassa.
É preciso ler muitas histórias para ter muitas palavras.

Madassa começou a ler. E a escrever também.
Quanto mais ele lia, mais escrevia.
Quanto mais escrevia, mais ele queria ler.
Era um carrossel sem fim.
Madassa que não sabia ler nem escrever, agora enchia cadernos e mais cadernos.
Um dia talvez, ele escreveria um livro.

Madassa escritor.

Do livro Madassa de Michel Séonnet traduzido por Parentalidade Digital.

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